Brincadeiras e infância

Brincadeiras sem tela nas férias: 8 ideias que a criançada curte de verdade

Publicado pela equipe eKarts · Leitura de 6 minutos

Criança sorrindo e comemorando durante uma atividade fora de casa nas férias

Lá pelo terceiro dia de férias ela aparece na sala, arrastando o pé: "mãe, tô entediado". Toda família conhece essa frase. E ela tem um lado bonito que quase ninguém repara: criança entediada está, sem saber, procurando o que fazer. Com uma ideia simples na mão e um adulto que topa começar junto, o tédio vira cabana, vira pista de obstáculos, vira um bolo meio torto que todo mundo come feliz.

As brincadeiras abaixo estão organizadas por idade, porque o que encanta uma criança de 4 anos costuma entediar uma de 10 (e o contrário também). Nenhuma pede brinquedo caro. Quase todas cabem numa tarde de casa cheia.

Para os pequenos, de 3 a 5 anos

Aos 3, 4 e 5 anos, a brincadeira é curta e cheia de repetição. A criança quer fazer de novo, e de novo, e mais uma vez, e é assim mesmo que ela aprende. Poucas peças bastam. A imaginação completa o resto.

1. Caça ao tesouro dentro de casa

Esconda cinco objetos simples pela casa e dê pistas faladas: "está perto de onde a gente escova os dentes". Para quem ainda não lê, a pista pode ser um desenho. Parece pouco, mas ali a criança está exercitando a memória e a noção de espaço (o que fica em cima, o que fica embaixo, o que está atrás da porta). E prepare-se: quando acabar, ela vai querer esconder tudo de novo para você procurar.

2. Cabana de lençol e caixa de papelão

Uma caixa grande de papelão vira carro de manhã, foguete depois do almoço e casinha no fim da tarde. Junte uns lençóis nas cadeiras e a cabana está de pé. O papelão é um brinquedo precioso justamente porque não vem com função pronta: quem decide o que ele é, e muda de ideia quantas vezes quiser, é a criança. Na próxima entrega que chegar em casa, segure a caixa antes de ela ir para o lixo.

Para a fase do meio, de 6 a 8 anos

Entre os 6 e os 8 anos chegam as regras (às vezes inventadas no meio do jogo, bem na hora em que ela ia perder) e a vontade de fazer coisa "de gente grande". Essa criança gosta de ver resultado e de ficar no comando de alguma parte da brincadeira.

3. A cozinha vira laboratório

Um bolo simples, o lanche montado pela própria criança, biscoitos para decorar. Tem matemática escondida em cada canto da cozinha: medir a farinha, contar as colheres, dividir a massa em partes iguais. Deixe que ela quebre o ovo (vai cair casca, faz parte), mexa a massa e lambuze as mãos. A bagunça a gente limpa depois. O orgulho de oferecer um pedaço do que fez para a família fica.

4. Circuito de obstáculos no corredor

Almofadas para pular, um barbante esticado para passar por baixo, um balde para acertar a bolinha de meia. Monte o circuito com o que tiver em casa e cronometre cada volta. Nessa idade, bater o próprio recorde é um motor e tanto, e a criança fica ali bem mais tempo do que você imagina. De quebra, gasta aquela energia que estava sobrando no sofá.

5. Jogos de tabuleiro e cartas de volta à mesa

Um baralho comum abre dezenas de jogos, do mico ao burro. Na mesa de jogo a criança treina coisas que nenhuma explicação ensina tão bem: esperar a vez, ganhar sem tirar sarro do irmão, perder sem virar o tabuleiro. Na primeira derrota pode ter choro, e está tudo certo, perder também se aprende jogando. E é um dos raros programas em que a família inteira senta em volta da mesma mesa.

Para os maiores, de 9 a 11 anos

Aos 9, 10, 11 anos, eles querem desafio à altura e um tanto de independência. Brincadeira de dez minutos já parece coisa de irmão menor. O que prende essa turma é uma missão com cara de projeto.

6. Um projeto que dura a semana toda

Proponha algo com começo, meio e fim: uma história em quadrinhos, um "programa de TV" caseiro, uma maquete, uma mágica ensaiada para apresentar no fim de semana. Ajuda combinar as etapas logo no início (na segunda, o roteiro; na terça, os desenhos) e deixar a própria criança anotar o plano num papel preso na geladeira. Chegar ao fim da semana com uma coisa pronta, criada do zero, dá um orgulho que dura bem mais que as férias.

7. Missão ao ar livre

Uma volta de bicicleta, uma partida de bola na quadra, uma ida ao parque com uma lista na mão: "encontre cinco tipos de folha diferentes". Lá fora a criança corre, se cansa na medida e costuma voltar para casa com outro humor. Em Belo Horizonte, mesmo no friozinho de julho, as tardes costumam abrir sol, e dá para aproveitar essa janela boa do dia.

8. Um dia de aventura fora de casa

De vez em quando, um passeio diferente quebra a rotina e vira lembrança: um museu com atividade para crianças, uma trilha leve, um lugar onde ela faça algo que não dá para fazer em casa. Na hora de escolher, pense em programas em que a criança mexe o corpo e toma decisões, em vez de só assistir. Aqui em BH, andar de kart elétrico é um desses programas, e existem muitos outros por aí.

Como fazer a brincadeira pegar

Quem já conduziu uma turma de crianças sabe que a ideia é só metade do caminho. A outra metade é o jeito de começar. Três truques ajudam muito.

Avise antes da troca. Criança lida muito melhor com o fim de uma atividade quando ele foi anunciado. Um "daqui a pouquinho a gente vai montar a cabana", dito alguns minutos antes, dá tempo para ela terminar o que está fazendo e se preparar para a próxima. Mudança no susto é que costuma virar choro.

Comece junto. Os primeiros cinco minutos são os mais difíceis de qualquer brincadeira. Sente no chão, pegue a primeira almofada, esconda o primeiro objeto. Quando o embalo pega, na maioria das vezes dá para ir se afastando aos pouquinhos e deixar a criança tocar sozinha. Muitas vezes ela nem percebe que você saiu.

A caixa do tédio: numa caixa de sapato, coloque papéis com ideias de brincadeira, uma por papel (as desta lista podem entrar). Quando bater o "não sei o que fazer", a criança sorteia um papel e obedece ao destino. Você deixa de ser a animadora oficial das férias, e ela ganha o gostinho de escolher. Os maiores adoram ajudar a escrever os papéis; os menores podem desenhar as ideias.

Umas férias mais leves para todo mundo

Ninguém precisa virar recreadora em tempo integral. Tenha duas ou três ideias à mão, deixe um pedaço do dia vazio (é nele que a criança inventa as melhores brincadeiras) e sente junto quando o clima pedir. As férias passam rápido. Daqui a alguns anos, é bem capaz de a lembrança mais forte delas ser uma cabana torta de lençol no meio da sala, com uma lanterna acesa lá dentro. Boas férias por aí.

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